LIVRE

2 de dez de 2009




Decidi renunciar a civilização e seus descontentamentos...

Deixo minhas posses para a financeira...
Minha conta bancária para o imposto de renda...
Meu seguro de vida e meu exemplo para minha família...
Minhas dívidas para a prosperidade...

Rasgarei em ato público, minha carteira de identidade...
Minha carteira profissional... Meu passaporte... Meu atestado de vacina...
Minha licença de motorista... Meu título de eleitor e meu Cartão do
Touring.
Peço que minha carteira do INSS e meu cartão de CPF sejam queimados e as
cinzas espalhadas pelo vento.
Que meu nome seja sumariamente riscado de todos os cadastros.

Depois de mais de 1 milhão de anos, volto para minhas origens de onde
nunca deveria ter saído.

Empenhe-se meu relógio e leiloe-se minha coleção da Play Boy.
Há um resto de Ballantime, naquele armário da sala de jantar que deve ser
dividido entre os amigos depois que eu me for...

Meus vinhos para o Povo!

Do guarda-roupas levo apenas o suficiente para chegar, com um mínimo de
recato, até Manaus...

Depois... A nudez e a selva...

Queime-se minhas roupas de festa.
Meus livros? Queime-se todos...

Não...
Vou precisar de alguma coisa para ler no avião... Melhor deixar um policial
qualquer, não quero nem saber o título... Não, esse não... Melhor levar
todos os livros, isso.

Vou desaprender a ler assim que me instalar na minha clareira na Amazônia.
Começarei com a Crítica da Razão Pura, e irei desaprendendo até a cartilha.
Só serei LIVRE quando Eva...Uva...e Vovó não significarem mais nada além
de riscos prêtos numa página branca, e aí queimarei a página.

Com quê? É bom levar fósforo, não sei se vou conseguir fazer fogo por
fricção.
Aliás, tem um livro aí que ensina a sobreviver na Selva, esse é melhor
guardar.

Vão pedir meus documentos para embarcar no avião...
E se eu dissesse, simplesmente "Sou um Ser Humano, sem nome e sem número e
meu único documento é essa cara honesta"?...

Me prendiam...
Levo a carteira de identidade, pronto...
A última concessão... Depois a LIBERDADE...

Já sei!!!

Vou de carro... Sem parar... Desbravarei matas e pradarias com o meu
terrível Gol.
O meu adeus à engenharia alemã...
Irei largando peças e acessórios pelo caminho... Me despindo simbolicamente,
de camadas de lataria e Civilização.
Chegarei a Selva montado num esqueleto de máquina, que enferrujara
lentamente na umidade enquanto eu reaprendo a andar sobre os dois pés nus.
O homem, que sobreviveu ao dinossauro, certamente sobreviverá ao
Volkswagem...

Agora me dei conta de que vai ter espinhos no chão e coisa pior...
Melhor levar um estoque de sandálias para os primeiros anos...

Com o tempo aprendo a fazer calçados de casca de... Como é mesmo que se
chama aquilo? a! de árvore.

A roupa de couro de animal... Mas pra começar levarei sandálias de borracha.
E, quem sabe, um bom impermeável...

Outra coisa... Para ir de carro, vou precisar de dinheiro para a comida,
gasolina e pneus, e minha licença de motorista... E por vias das dúvidas a
carteira do Touring para o socorro de urgência...

Então vamos ver: livros, fósforo, licença, touring, sandálias, dinheiro...

E só!

Nada mais.

Abaixo o Supérfluo.

Queime-se o resto...

Vivi milhares de anos sem máquinas e roupa feita e posso fazer o mesmo
outra vez... Me bastam os dentes, o dedão opositor e a imaginação...

Vou precisar de relógio, claro.
E uma bússola para me orientar na Selva, até aprender a ler a direção nas
Estrelas e cheirar o Vento... Depois de cultura me bastará o olfato.

Uma machadinha, um facão, uma lanterna e um estoque de pilhas até que eu
comece a enxergar no escuro...
Um canivete suiço e nada mais.

LIVRE...

Em dois dias terei aberto a minha Clareira e estarei pronto pra construir
minha casa (anota ai): pregos, serra e martelo, corda não precisa, tem cipó.

(Pelo menos nos filmes tem...)

LIVRE!!!!

SELVAGEM e LIVRE.

Só comerei o que caçar e pescar com as próprias mãos.
Beberei a água pura das nascentes.
Cozinharei a carne e o peixe em espeto de pau-brasil.

Vou precisar de sal.

Não gosto de mandioca... Levo farinha pronta.
Umas latinhas de ervilha, presuntada, salsicha, leite em pó... Um patêzinho
... E, muito importante, um abridor de latas.

Puxa... E cerveja... É indispensável... Umas 20 caixas de cerveja. E nada
mais... Abdico do mundo e da sua história.

Começo tudo de novo do marco zero.
Um Homem com sua fibra e o seu poder criador.
Só voltarei a civilização se precisar de dentista.

Outra coisa pra levar: rede de mosquito.

Viverei nu, em contato direto com a Natureza... Precisamos nos reintregrar
na natureza.

Não posso me esquecer de levar Band-aid.

Contarei os dias pela passagem do Sol e os meses pelas fases da Lua.

Aparelho de barbear, lâminas, loção...

Me banharei na chuva... Sabonete... Tesourinha de unha.

Dormirei nas forquilhas das arvores milenares, embalado pela Brisa da
Floresta Primaveril.

Aspirina... Pomada contra assadura, já ia me esquecendo...

Meu Deus... Como vou receber e responder meus e-mail? Levo o micro todo...

Nossa!!! Será que lá tem cobra???

LIVRE!!!



Luiz Fernando Verissimo



(imagem: Lina Ianeva)

LIVRE




Decidi renunciar a civilização e seus descontentamentos...

Deixo minhas posses para a financeira...
Minha conta bancária para o imposto de renda...
Meu seguro de vida e meu exemplo para minha família...
Minhas dívidas para a prosperidade...

Rasgarei em ato público, minha carteira de identidade...
Minha carteira profissional... Meu passaporte... Meu atestado de vacina...
Minha licença de motorista... Meu título de eleitor e meu Cartão do
Touring.
Peço que minha carteira do INSS e meu cartão de CPF sejam queimados e as
cinzas espalhadas pelo vento.
Que meu nome seja sumariamente riscado de todos os cadastros.

Depois de mais de 1 milhão de anos, volto para minhas origens de onde
nunca deveria ter saído.

Empenhe-se meu relógio e leiloe-se minha coleção da Play Boy.
Há um resto de Ballantime, naquele armário da sala de jantar que deve ser
dividido entre os amigos depois que eu me for...

Meus vinhos para o Povo!

Do guarda-roupas levo apenas o suficiente para chegar, com um mínimo de
recato, até Manaus...

Depois... A nudez e a selva...

Queime-se minhas roupas de festa.
Meus livros? Queime-se todos...

Não...
Vou precisar de alguma coisa para ler no avião... Melhor deixar um policial
qualquer, não quero nem saber o título... Não, esse não... Melhor levar
todos os livros, isso.

Vou desaprender a ler assim que me instalar na minha clareira na Amazônia.
Começarei com a Crítica da Razão Pura, e irei desaprendendo até a cartilha.
Só serei LIVRE quando Eva...Uva...e Vovó não significarem mais nada além
de riscos prêtos numa página branca, e aí queimarei a página.

Com quê? É bom levar fósforo, não sei se vou conseguir fazer fogo por
fricção.
Aliás, tem um livro aí que ensina a sobreviver na Selva, esse é melhor
guardar.

Vão pedir meus documentos para embarcar no avião...
E se eu dissesse, simplesmente "Sou um Ser Humano, sem nome e sem número e
meu único documento é essa cara honesta"?...

Me prendiam...
Levo a carteira de identidade, pronto...
A última concessão... Depois a LIBERDADE...

Já sei!!!

Vou de carro... Sem parar... Desbravarei matas e pradarias com o meu
terrível Gol.
O meu adeus à engenharia alemã...
Irei largando peças e acessórios pelo caminho... Me despindo simbolicamente,
de camadas de lataria e Civilização.
Chegarei a Selva montado num esqueleto de máquina, que enferrujara
lentamente na umidade enquanto eu reaprendo a andar sobre os dois pés nus.
O homem, que sobreviveu ao dinossauro, certamente sobreviverá ao
Volkswagem...

Agora me dei conta de que vai ter espinhos no chão e coisa pior...
Melhor levar um estoque de sandálias para os primeiros anos...

Com o tempo aprendo a fazer calçados de casca de... Como é mesmo que se
chama aquilo? a! de árvore.

A roupa de couro de animal... Mas pra começar levarei sandálias de borracha.
E, quem sabe, um bom impermeável...

Outra coisa... Para ir de carro, vou precisar de dinheiro para a comida,
gasolina e pneus, e minha licença de motorista... E por vias das dúvidas a
carteira do Touring para o socorro de urgência...

Então vamos ver: livros, fósforo, licença, touring, sandálias, dinheiro...

E só!

Nada mais.

Abaixo o Supérfluo.

Queime-se o resto...

Vivi milhares de anos sem máquinas e roupa feita e posso fazer o mesmo
outra vez... Me bastam os dentes, o dedão opositor e a imaginação...

Vou precisar de relógio, claro.
E uma bússola para me orientar na Selva, até aprender a ler a direção nas
Estrelas e cheirar o Vento... Depois de cultura me bastará o olfato.

Uma machadinha, um facão, uma lanterna e um estoque de pilhas até que eu
comece a enxergar no escuro...
Um canivete suiço e nada mais.

LIVRE...

Em dois dias terei aberto a minha Clareira e estarei pronto pra construir
minha casa (anota ai): pregos, serra e martelo, corda não precisa, tem cipó.

(Pelo menos nos filmes tem...)

LIVRE!!!!

SELVAGEM e LIVRE.

Só comerei o que caçar e pescar com as próprias mãos.
Beberei a água pura das nascentes.
Cozinharei a carne e o peixe em espeto de pau-brasil.

Vou precisar de sal.

Não gosto de mandioca... Levo farinha pronta.
Umas latinhas de ervilha, presuntada, salsicha, leite em pó... Um patêzinho
... E, muito importante, um abridor de latas.

Puxa... E cerveja... É indispensável... Umas 20 caixas de cerveja. E nada
mais... Abdico do mundo e da sua história.

Começo tudo de novo do marco zero.
Um Homem com sua fibra e o seu poder criador.
Só voltarei a civilização se precisar de dentista.

Outra coisa pra levar: rede de mosquito.

Viverei nu, em contato direto com a Natureza... Precisamos nos reintregrar
na natureza.

Não posso me esquecer de levar Band-aid.

Contarei os dias pela passagem do Sol e os meses pelas fases da Lua.

Aparelho de barbear, lâminas, loção...

Me banharei na chuva... Sabonete... Tesourinha de unha.

Dormirei nas forquilhas das arvores milenares, embalado pela Brisa da
Floresta Primaveril.

Aspirina... Pomada contra assadura, já ia me esquecendo...

Meu Deus... Como vou receber e responder meus e-mail? Levo o micro todo...

Nossa!!! Será que lá tem cobra???

LIVRE!!!



Luiz Fernando Verissimo



(imagem: Lina Ianeva)

O Valor das pequenas coisas

"Aprenda a escutar a voz das coisas,
dos fatos, e verás como tudo fala,
como tudo se comunica contigo.

Em cada indelicadeza,
assassino um pouco aqueles que me amam.

Em cada desatenção,
não sou nem educado e nem cristão.


Em cada olhar de desprezo,
alguém termina magoado.

Em cada gesto de impaciência,
dou uma bofetada invisível
nos que convivem comigo.

Em cada perdão que eu negue,
vai um pedaço do meu egoísmo.

Em cada ressentimento,
revelo meu amor-próprio ferido.

Em cada palavra áspera que digo,
perdi alguns pontos no céu.

Em cada omissão que pratico,
rasgo uma folha do evangelho.

Em cada esmola que eu nego,
um pobre se afasta mais triste.

Em cada oração que não faço, eu peco.

Em cada juízo maldoso,
meu lado mesquinho se aflora.

Em cada fofoca que faço,
peco contra o silêncio.

Em cada pranto que enxugo,
torno alguém mais feliz!

Em cada ato de fé,
eu canto um hino à vida.

Em cada sorriso que espalho,
planto alguma esperança.

Em cada espinho, que finco,
machuco algum coração.

Em cada espinho que arranco,
alguém beijará minha mão.

Em cada rosa que oferto,
os anjos dizem: Amém!

Somos todos, anjos com uma asa só.

E só podemos voar quando
"abraçados uns aos outros".



Roque Schneider



(imagem: alheia)

O Valor das pequenas coisas

"Aprenda a escutar a voz das coisas,
dos fatos, e verás como tudo fala,
como tudo se comunica contigo.

Em cada indelicadeza,
assassino um pouco aqueles que me amam.

Em cada desatenção,
não sou nem educado e nem cristão.


Em cada olhar de desprezo,
alguém termina magoado.

Em cada gesto de impaciência,
dou uma bofetada invisível
nos que convivem comigo.

Em cada perdão que eu negue,
vai um pedaço do meu egoísmo.

Em cada ressentimento,
revelo meu amor-próprio ferido.

Em cada palavra áspera que digo,
perdi alguns pontos no céu.

Em cada omissão que pratico,
rasgo uma folha do evangelho.

Em cada esmola que eu nego,
um pobre se afasta mais triste.

Em cada oração que não faço, eu peco.

Em cada juízo maldoso,
meu lado mesquinho se aflora.

Em cada fofoca que faço,
peco contra o silêncio.

Em cada pranto que enxugo,
torno alguém mais feliz!

Em cada ato de fé,
eu canto um hino à vida.

Em cada sorriso que espalho,
planto alguma esperança.

Em cada espinho, que finco,
machuco algum coração.

Em cada espinho que arranco,
alguém beijará minha mão.

Em cada rosa que oferto,
os anjos dizem: Amém!

Somos todos, anjos com uma asa só.

E só podemos voar quando
"abraçados uns aos outros".



Roque Schneider



(imagem: alheia)

Carinho que ganhei da amiga Suely.

29 de nov de 2009



Ganhei este selinho de uma amiga especial. Obrigada de coração eu amei. Bjus da amiga layne.
Recomendo que vistem os cantinhos da Suely tenho certeza que vão adorar é só clicar nos links abaixo.



GIFS, MINI GIfS E IMAGENS ENCONTRADAS NA NET


Ninguém pode começar de novo, mas qualquer um pode fazer um novo fim...Chico Xavier





COISAS DE PRINCESA


http://princesasdouradas.blogspot.com/

 
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